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Por Renata Rodrigues


Foto: Ayo Ogunseinde

A sexualização da mulher brasileira é uma questão que permeia a sociedade e a cultura do país, moldada por influências históricas, culturais, econômicas e midiáticas. Este fenômeno complexo tem implicações significativas na vida das mulheres e na construção da sua identidade sexual. Neste contexto, é importante analisar as raízes históricas desta questão e as mudanças em curso, bem como o papel do empoderamento das mulheres na procura de uma representação mais igualitária.


As raízes da sexualização das mulheres brasileiras remontam à era colonial, quando a exploração dos corpos das mulheres, especialmente dos corpos das mulheres negras escravizadas, estava intimamente ligada à objetificação e à exploração. Este legado histórico persistiu durante séculos, fomentando a ideia de que o valor de uma mulher estava intimamente ligado à sua aparência física e à sua capacidade de ser sexualmente atraente.


A indústria do entretenimento desempenha um papel central na sexualização das mulheres brasileiras. Na música, na televisão, no cinema e na publicidade, as imagens de mulheres são frequentemente utilizadas para promover produtos e artistas, criando estereótipos e perpetuando a objetificação.


A sensualidade é frequentemente associada à cultura carnavalesca, um evento celebrado internacionalmente que também apresenta trajes e coreografias sensuais que enfatizam a sexualidade feminina. O problema é ainda agravado pela difusão da cultura da imagem através das redes sociais e dos meios digitais. As mulheres são frequentemente pressionadas a cumprir padrões de beleza inatingíveis, o que pode levar a problemas de autoestima e de saúde mental.


O conflito constante com as idealizações da sexualidade feminina cria expectativas irrealistas e cria inseguranças e desafios para as mulheres no caminho da autodeterminação e da autodeterminação. Apesar dos desafios da sexualização, as mulheres brasileiras têm desempenhado um papel fundamental na promoção do empoderamento das mulheres. O país tem um movimento feminista crescente que defende uma representação mais diversificada e justa das mulheres na sociedade. O empoderamento leva a resultados políticos, sociais e culturais que visam quebrar estereótipos e lutar pela igualdade de direitos.


A sexualização das mulheres brasileiras é uma questão complexa e multifacetada, com profundas raízes históricas e influências da indústria do entretenimento, da mídia e das redes sociais. Contudo, as mulheres brasileiras não são as únicas vítimas deste fenômeno. Apelaram à igualdade de género e uniram-se contra a objetificação.


O empoderamento das mulheres, impulsionado pelo ativismo e pela conscientização, desafia estereótipos e promove uma representação mais igualitária das mulheres na sociedade brasileira. À medida que a sociedade evolui, espera-se que o hiper sexismo seja substituído por uma compreensão mais equilibrada e respeitosa da feminilidade.


Entre o Racismo e o Sexismo: A Profunda Complexidade da Sexualização da Mulher Negra


A sexualização da mulher negra é um pouco mais complexa, merecendo uma análise especial. A interseção entre racismo e sexismo cria uma realidade onde as mulheres negras muitas vezes enfrentam uma dupla opressão, sendo frequentemente objetificadas e estereotipadas de maneira prejudicial. As raízes da sexualização da mulher negra remontam ao período colonial, quando o tráfico de escravos trouxe milhões de africanos nos porões dos navios para o Brasil. Durante essa época, os corpos das mulheres negras foram brutalmente explorados e objetificados, perpetuando a noção de que sua sexualidade era de propriedade alheia. Essa herança histórica deixou cicatrizes profundas que ainda são visíveis na sociedade atual.


E, nos últimos 70 anos a mídia de massa vem desempenhando um papel significativo na perpetuação da sexualização da mulher negra. Na televisão, no cinema, na música e na publicidade, as mulheres negras são frequentemente retratadas como hiper sexualizadas, contribuindo para a objetificação e estigmatização. Isso não apenas reforça estereótipos prejudiciais, mas também limita a representação positiva de mulheres negras em posições de liderança e poder.


A sexualização da mulher negra tem sérias consequências sociais. A objetificação constante mina a autoestima e a autoimagem das mulheres negras, contribuindo para problemas de saúde mental e emocional. Além disso, ela pode dificultar o acesso a oportunidades educacionais e profissionais, prejudicando o desenvolvimento pessoal e o bem-estar econômico.


Apesar dos desafios, as mulheres negras têm se unido em movimentos de empoderamento e resistência. O feminismo negro, por exemplo, busca desafiar estereótipos e lutar contra a hiper sexualização. As vozes e lutas das mulheres negras são essenciais para promover uma sociedade mais justa e igualitária.


É fundamental que a sociedade reconheça os danos causados pela hiper sexualização e trabalhe para eliminar os estereótipos prejudiciais que perpetuam essa opressão. À medida que as vozes das mulheres negras ganham destaque e a conscientização aumenta, há esperança de que a luta contra a sexualização e a objetificação leve a uma representação mais justa e igualitária das mulheres negras na sociedade brasileira.


Ao examinar o corpo da mulher negra, emerge uma dualidade peculiar. Por vezes, é invisibilizado e menosprezado, enquanto, em outros momentos, é hiper sexualizado e objeto de desejo. Um exemplo dessa dualidade é ilustrado no romance de Jorge Amado, "Gabriela, Cravo e Canela" (1959), no qual o personagem Nacib afirma: "Seu Nacib era para casar com moça distinta, toda nos 'brinques', calçando sapato, meia de seda, usando perfume. Moça donzela, sem vício de homem. Gabriela servia para cozinhar, arrumar a casa, lavar roupas e se deitar com os homens. Não com os homens velhos e feios, não por dinheiro, mas por prazer." Essa passagem do livro reflete a percepção de Gabriela como uma mulher negra cuja função é realizar o trabalho doméstico e ser objeto de desejo sexual, e que o faz por escolha própria. Essa visão perpetua ideias de uma classe dominante e sublinha a influência do sistema escravocrata na construção das imagens e papéis das mulheres negras na sociedade.


A invisibilidade da mulher negra persiste em muitos setores, incluindo o mercado de trabalho e a mídia. Por outro lado, a hiper sexualização é evidente em letras de músicas e na mídia, como é evidenciado no carnaval, onde a exaltação da beleza se relaciona frequentemente com o prazer sexual.


Quando se trata da figura da mulher negra, exemplificada pela "morena”, vemos a transformação da "globeleza", que antes era representada por uma mulher negra com características físicas específicas, como bumbum avantajado, lábios grossos e corpo exuberante. No entanto, a escolha atual tende a representar um tom de pele mais próximo do mais claro, pardo. Isso ilustra uma tendência de embranquecimento da representação da mulher negra na mídia, reforçando a ideia de que a mulher "morena é preferível à mulher negra. Ser uma mulher parda é visto como diferente de ser uma mulher negra, e essa diferenciação é muitas vezes baseada em características físicas, que estão associadas à beleza convencional da população branca.


Essa negação da identidade negra é uma herança do patriarcado, que promove um padrão de beleza associado à população branca. A recusa em reconhecer a própria raça leva as mulheres negras a buscarem alternativas para se encaixar no padrão considerado aceitável e belo. Esse dilema coloca as mulheres negras em uma situação socialmente imposta que pode ser avassaladora, uma vez que a não aceitação de sua própria raça as leva a buscar constantemente se adequar a um ideal alheio.


É importante destacar que a violência vivenciada pelas mulheres negras se manifesta em diversos aspectos, e um deles está relacionado à sua estética, notadamente no que diz respeito aos seus cabelos. A desvalorização da estética é mais um exemplo que evidencia a desigualdade enfrentada por essas mulheres.


Ao abordar a questão dos cabelos das mulheres negras, é evidente que elas também são afetadas pela chamada "ditadura da beleza". Muitas vezes, são pressionadas a alisar, clarear ou descolorir seus cabelos. Não há nada de errado em alisar ou colorir os cabelos, mas é crucial enfatizar que as mulheres negras frequentemente passam por esse processo como uma negação de sua própria identidade.


Em contextos de relacionamentos conjugais nos quais o interracial é composto por um homem branco e uma mulher negra, observa-se frequentemente a não aceitação por parte da família do esposo. Isso se deve, em parte, a estereótipos que associam a mulher negra a uma sensualidade exótica, relegando-a a um papel de mera satisfação de desejos sexuais. Essa visão estigmatizante perpetua a desvalorização da mulher negra devido à sua cor de pele, reforçando preconceitos e estereótipos prejudiciais.


Como compreender essa dualidade em que as mulheres são estereotipadas como sensuais e, ao mesmo tempo, enfrentam obstáculos tão significativos? Quando afirmamos que o Brasil é uma nação mestiça, estamos reconhecendo a mistura de diversas origens étnicas. No entanto, muitas vezes negligenciamos o fato de que somos produtos de uma nação historicamente construída por meio de atos de muitas violências, incluindo a violência sexual.


A miscigenação, muitas vezes elogiada, é, na verdade, o resultado de estupros cometidos contra mulheres negras e indígenas, que foram violentadas e tratadas como meros objetos de satisfação sexual. A miscigenação entre diferentes grupos étnicos carrega consigo as marcas de uma construção social influenciada por relações políticas, ideológicas e econômicas complexas.


É crucial destacar que essas dinâmicas de poder se traduzem em formas de violência, opressão e subjugação, impactando diretamente no papel que a mulher assume na sociedade. Elas são forçadas a enfrentar uma realidade na qual são, ao mesmo tempo, fetichizadas e desvalorizadas, uma dualidade que as coloca em uma posição delicada e desafiadora no contexto da sociedade brasileira.


Um exemplo disso nos dias de hoje e a série "Dear White People", torna-se evidente a forma como são abordados os diferentes tratamentos dados entre pessoas negras de pele clara e pele escura. Esta é uma questão histórica racial que, de maneira semelhante ao que ocorre nos Estados Unidos, também tem impacto no Brasil. Embora a discussão seja extensa e exija um embasamento teórico mais aprofundado, gostaríamos de explorar a questão da aceitação social dentro da comunidade negra, particularmente em relação aos padrões de beleza.


Uma das observações que chama a atenção é a existência de um padrão de beleza que é amplamente aceito na sociedade, mesmo entre as pessoas negras. Muitas vezes, a mulher negra que ocupa mais espaço na mídia tende a se enquadrar nesse padrão, que podemos caracterizar como a "não tão negra assim". Ela geralmente apresenta traços mais finos, um corpo mais esguio, cabelos cacheados em vez de crespos, e pode até ter uma pele mais clara. A questão que surge é porque esse padrão específico é o que prevalece quando se trata de representação e aceitação social dentro da comunidade negra.


A influência histórica da miscigenação e do racismo desempenha um papel fundamental na construção desses padrões de beleza. A ideia de que traços mais próximos ao europeu são mais desejáveis tem raízes profundas na história do Brasil, que foi moldada por séculos de escravidão e discriminação racial. Essa herança histórica ainda se reflete na sociedade contemporânea, influenciando a percepção de beleza e a aceitação social.


No entanto, é crucial lembrar que a comunidade negra é diversa em termos de aparência, e não existe um único padrão de beleza que a represente de maneira adequada. A valorização da diversidade é fundamental para que todas as pessoas negras possam se sentir representadas e aceitas em sua plenitude, independentemente de sua aparência física.


Portanto, a série "Dear White People" serve como um ponto de partida para uma discussão mais ampla sobre representatividade e padrões de beleza na comunidade negra. É importante continuarmos explorando esse tema de maneira aprofundada, considerando o contexto histórico e social que o moldou, para promover uma sociedade mais inclusiva e equitativa para todos.


Além disso, enfrentamos os padrões impostos pela sociedade contemporânea nos dias de hoje. Se não corresponder ao estereótipo da "negra padrão", que muitas vezes é associada à estética afropaty, caracterizada por unhas de acrigel longas, cabelos com lace, roupas mais curtas e sensuais, ou à imagem da "nega doce", que abraça o visual com gloss, cabelos cacheados sempre exuberantes e definidos, e uma tonalidade de pele mais clara, você acaba sendo excluída da definição de beleza negra desejável.


Isso resulta na ignorância de outras representações igualmente válidas de mulheres negras que contribuem de maneiras diversas para a nossa sociedade. O que agrava ainda mais a percepção da nossa imagem no exterior como mulheres brasileiras é o fato de já enfrentarmos certo grau de objetificação em relação aos nossos corpos. Essa situação contribui para reforçar ainda mais os estereótipos que existem sobre nós.


  • 25 de nov. de 2023
  • 3 min de leitura

Saiba o que deve ser feito para ter uma pele mais saudável e as precações que devem ser tomadas


Por Marcela Virgulino

Foto: Marcela Virgulino

A pele negra, diferente do que muitos pensam, também precisa de cuidados e tratamentos específicos. Com maior concentração de melanina (proteína que age como protetora natural dos raios solares) e uma alta produção de oleosidade, o mito de não precisar de protetor solar deixa muita gente em dúvida do que se deve fazer. Mas a verdade é que todas merecem atenções para mantê-las saudáveis.


De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) a composição da pele negra é completamente pigmentada, ou seja, possui altos níveis de melanina. Com uma grande produção de sudoríparas (responsáveis pelo suor), a epiderme negra tem maior propensão a acne, oleosidade, melasmas e outras manchas.


Por isso a Dra. Eliana Chagas, dermatologista e membro da Skin of Color Society, esclareceu para a 40MAIS tudo o que você precisa saber sobre a pele negra e como deixá-la ainda mais radiante do que já é.


Diferença da pele branca

“A pele negra tem melanossomas (organelas onde ocorre a síntese de melanina, pigmento que confere a cor da pele) maiores e distribuídos por toda epiderme. As células produtoras de colágeno são um pouco maiores que na pele branca”.


Características da pele negra

“A pele negra de uma certa maneira mancha mais que a pele branca, tende a oleosidade na face, ressecamento corporal e constituem mais colágeno (é mais elástica) resistente aos sinais da idade, que é uma diferença bem visível”.


Atenções para a pele madura!

“Os cuidados são praticamente iguais a de uma pela branca; boa alimentação, boa hidratação oral e tópico, uso de antioxidantes e fotoproteção, mas sempre se lembrando das necessidades que cada uma tem”.


E a hidratação?

“A melanina não tem relação com a oleosidade da pele. A pele negra tende a maior oleosidade no rosto pelo tamanho maior das glândulas sebáceas nessa região. A pele oleosa tanto quanto a pele normal, mista ou seca devem ser hidratadas.


Problemas enfrentados

“Geralmente a pele do rosto necessita de tratamento para oleosidade, a pele corporal merece maior atenção para o ressecamento com uso de hidratantes. Posteriormente uma quantidade maior de melanina em toda pele existe a possibilidade maior de manchas”.


Ressecamento “Não é tão comum assim, a pele negra é mais ressecada no corpo apenas, necessitando de hidratantes apropriados que sejam específicos para esse fator, melhorando a textura e”.



Rotina de Skincare


Esclareceu todas as suas dúvidas? Então, pasmem. Para aplicar todo esse conhecimento e além das dicas da Dra. Eliana, a dermatologista separou cinco passos importantes, uma rotina de skincare, para você cuidar da sua face sem ficar perdida e aproveitar um dos momentos mais gostos do dia, que é cuidar de você mesma. Então vamos lá!


1° Passo. Limpeza

Nem pense chegar em casa depois de um dia agitado e ir dormir, não mesmo a disciplina começa com nós mesmas. Lavar o rosto contribui favoravelmente para a saúde da cútis. “Utilizar sabonetes para pele oleosa, mista de acordo com o tipo de pele do rosto”


2° Passo. Banho-hidratação

Água é vida e não tem como negar isso, ainda mais quando nos sentimos livre para relaxar ou fazer do banheiro um show de canto, brincadeiras a parte. A pele corporal merece devida atenção já que ela é visível aos olhos e expressa quando estamos com problemas. “Para o corpo indico sabonetes hidratantes ou óleo de limpeza”.


3° Passo. Tratamento

A popularização dos séruns (variação de soro no latim) se deu com a publicação de vários conteúdos sobre rotinas para a pele, isso é fato, não tem como contestarmos, com um mercado imenso existem produtos desse tipo para todos os bolsos. “Séruns, cremes com vitamina como, por exemplo”.


4° Passo. Hidratação

Diferente dos cremes e séruns que possuem finalidades terapêuticas, no caso da hidratação, aqui têm a reposição de água ou outros nutrientes que se pedem no dia a dia. “O produto deve estar de acordo com o tipo de pele”.


5º Passo. Fotoproteção

Piscou, e você nem lembrou que tinha que passar o protetor solar, não é só fora de casa que devemos usar, ainda mais que ele deve ser reaplicado para ter o efeito indicado nas embales e rótulos dos produtos. Usar FPS acima de 50. Reaplicar a cada 2 horas para atividades outdoor e 3x dia para ambientes fechados”.


Bônus. Maquiagem

Aqui você pode se divertir como quiser, já que não existem regras para se maquiar, apenas técnicas que ajudam dependendo do que queremos iluminar, destacar, diminuir e muito mais. A maquiagem é uma expressão daquilo que queremos transmitir em forma de arte, então abuse!


Por Marcela Virgulino


Rebelde, indomável e enjaulada são palavras que Sabrinah Giampá utiliza em sua obra “O Livro dos Cachos” para descrever o que a cultura do cabelo liso pode fazer com uma

pessoa que não se encaixa no padrão.

Foi publicado pela editora Paralela no ano de 2016 e conta com 144 páginas. É uma verdadeira sintonia de acolhimento para quem tem interesse no assunto e possui fios ondulados, cacheados ou crespos. Se você procura um compilado rico em conteúdo e que quebre os estigmas impostos pela a sociedade sobre as molinhas, essa com certeza é uma leitura fascinante.

Como uma jornalista negra que também tem o cabelo crespo, esse livro me chamou muita atenção devido ao conteúdo ser voltado aos fios encaracolados. Por ser um assunto que está reunido em páginas impressas, isso proporciona a muitas mulheres a se conhecerem mais e não se permitirem a conquistar um padrão incansável. A obra reforça o amor próprio inteiramente da cabeça aos pés, com a história da autora acredito que a maioria das pessoas possa se identificar e encontrar uma leitura envolvente.


Nessa obra não há espaço para se sentir sozinha, os capítulos dedicados a todos os tipos de cabelos, ondulados, cacheados e crespos. Apesar dos variados conteúdos publicados na Internet, ter um livro físico somente com esse tema, já por si só, um grande avanço para nós. No meu caso utilizo as dicas da Sabrinah, sempre que posso, como, por exemplo, ler o rótulo dos produtos de cosméticos, parece ser chato, mas atualmente meu cabelo não sofre como antes, hidratação e queda dos fios melhoraram muito. Indico você a fazer o mesmo.


A Obra

De início a autora fala da importância de contemplar toda a beleza, não apenas evidenciar aquilo que já estamos acostumadas a ver desde muito tempo. O propósito é não anular nossas identidades somente para alcançar uma felicidade de faz de conta, consequentemente para ser aceita em um mundo imperfeito. O livro é dedicado para aquelas que se sentiram inadequadas e julgadas, mas principalmente as mulheres negras que sofrem por assumirem os cabelos crespos e pela cor da pele.


Assim como muitas meninas que desde crianças tem os fios encaracolados, e sonham com a cabeleira esvoaçante igual das atrizes de cinema, Sabrinah passou boa parte da infância até a juventude, tentando de diversas maneiras alisar o cabelo. Escova, relaxamento, definitiva japonesa e a progressiva que ela apelidou carinhosamente de “possessiva” foram os procedimentos que se dispôs a fazer para conquistar o liso perfeito, mas no fim todos eles acabavam dando algum resultado indesejado, como pontas duplas, frizz e ressecamento.


Após muitos anos trabalhando no setor corporativo onde atuava como jornalista, e uma longa relação de amor e ódio que possuía com seu cabelo, percebeu que já não se reconhecia mais em frente ao espelho, então alguma cosa tinha de ser feita. Em resposta tomou uma importante decisão que mudaria não só a sua imagem, mas toda sua vida. Um novo caminho a levaria a ser inspiração para outras mulheres, quando resolveu passar pela transição ouviu muitos comentários desnecessários, entretanto a liberdade de sair de casa e não pensar na chuva ou transpirar no calor falou mais alto.


Depois que assumiu o cabelo natural, Sabrinah começou a ter prazer em cuidar dele, aprendendo quais técnicas a favoreciam e os produtos que auxiliavam na hidratação, brilho e outros nutrientes dos fios. Com a auto estima renovada, situações incomuns passaram a ser freqüentes no dia a dia, passou a ser abordada na rua por outras mulheres que a perguntavam como mantinha os cachos tão bonitos e brilhantes. Quando se deu conta estava dando consultorias a estranhos, isso a levou a criar blog Cachos&Fatos com o intuito de ajudar outras pessoas.


Sem saber em que o futuro a reservaria, trocou as reuniões do jornalismo pela arte de cuidar das madeixas, especializando-se em cabelos crespos descobriu que o mercado não oferecia na além de alisamentos. Fora que as aulas que frequentava não tinham muito embasamento no assunto, porém o curso da marca DevaCurl foi a luz em meio a escuridão. Com um blog e sabedoria em mão agora era a hora da Garagem dos Cachos, um espaço totalmente dedicado a molinhas naturais, sem saber onde daria apenas o tinha como um hobby, mas os planos do Universo eram outros.


Atualmente consolidada e com muitas clientes, Sabrinah administra a garagem com muita determinação e entusiasmo, quanto ao blog continua escrevendo para ajudar e fortalecer o cabelo cacheado natural. Em suma o livro além de contar a história de cabeleireira, fala também big chop (corte químico), transição capilar, o que é esse movimento e dicas para cuidar dos cabelos ondulados, cacheados e crespos que vão desde a textura 2ª até 4C, ou seja é muito conteúdo para ficarmos mais lindas e não se deixar levar pelo padrão.


Pontos Positivos

- Custo benefício: Muito bom, o livro varia de R$10 a R$39,90

- Nível de dificuldade: Linguagem simples e de facial entendimento;

- Onde encontrar: Lojas virtuais, editoras online, marketplaces;

- Impressão: Leitura legível;

- Público em geral: Relevante, principalmente para a indústria capilar ;

- Arte: O designer da capa do livro chama muito atenção, muito bonita;

- Estrutura de conteúdo: fácil compreensão

Pontos Negativos

- Conteúdo: Não é tão profundo;

- Público: Pode haver quebra de expectativa;

- Onde encontrar: Apenas em sites e marketplaces

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