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Na Capa

  • marcelatrabalhosfm
  • 25 de nov. de 2023
  • 3 min de leitura

Tranquila, de bem com a vida e com muito pique, a botucatuense Antônia Miguel Virgulino ilustra a capa da primeira edição da 40MAIS. Na entrevista a aposentada conta a sua trajetória e sobre como é ser mulher, negra e mãe.


Por Marcela Virgulino

Foto: Islany Oliveira, Marcela Virgulino e Renata Rodrigues

Tranquila, de bem com a vida e com muito pique, a botucatuense Antônia Miguel Virgulino ilustra a capa da primeira edição da 40MAIS. Na entrevista a aposentada conta a sua trajetória e sobre como é ser mulher, negra e mãe.


Nascida no interior na fazenda Agulha em São Paulo, Botucatu, Antônia Miguel Virgulino possui uma história surpreendente, vinda de uma família humilde, aprendeu desde cede o que era trabalhar para ajudar no sustento. Filha de Isolina de Coutinho Miguel, uma doméstica que a criou sozinha com suas duas irmãs mais novas, era menina quando seus pais se separaram. Hoje, aos 76 anos, desfruta de uma vida cheia de viagens, encontro com amigos e muito amor dos filhos e netos.

“Comecei a trabalhar aos sete anos para uma família, era responsável por cuidar de um bebê, lembro que ficava desesperada quando aquela criança chorava, mas depois fui pegando o jeito, aprendendo a cozinhar e quando me dei conta já fazia todos os afazeres domésticos. Diferente das mocinhas da minha época, no dia do meu aniversário estava tão cansada que acabei esquecendo que estava completando meus 15 anos. Apesar desses momentos, tinha a companhia dos meus primos e o mundo ficava mais divertido e com muitas aventuras|”, recorda Antônia.


O Amor

Nesse cenário não poderia ser diferente. “Conheci o meu marido Sergio quando moça, começamos a namorar, noivamos e depois casamos, hoje temos 50 anos de casado, parece que foi ontem quando comecei a fazer o enxoval e sonhar com uma vida nova. Com um ano de casada, engravidei de uma menina e dois anos mais tarde veio o meu filho mais novo. Não podendo esquecer, dos meus três amores, que são os meus netos”, explica.


Foto: Islany Oliveira, Marcela Virgulino e Renata Rodrigues

O lado espiritual teve forte impacto na vida de Antônia, “Sempre tive muita fé em Deus, não importa o quanto a situação esteja difícil, acredito que tudo é possível, tem um propósito ou é um livramento de coisas ruins. Não preciso estar em uma igreja o tempo todo, porque sei que Ele me ouve e acredito Nele, isso para mim basta. Só sei que existe algo maior sobre todos nós, algo que podemos acreditar”, declarou.


Racismo

Como uma mulher negra, não foi diferente quando presenciou o racismo pela primeira vez. “Quando eu morava no Interior e precisava ir no centro da cidade para comprar comida ou ir na missa, existia uma rua onde tinha dois tipos de calçadas, uma eram para as pessoas ricas, enquanto do outro lado da rua, andavam aqueles que tinham poucas condições financeiras, eram as pessoas negras. Isso foi uma coisa que me marcou muito”, contou Antônia.


Sonho Realizado

Ter um lar para chamar de seu era o que Antônia sempre desejou. “Nas brincadeiras de casinha, quando pequena, sempre dizia que teria um sobrado grande (casa com dois andares) e com uma varanda que tivesse uma vista bonita, e não é que isso aconteceu? Tenho minha casa própria e minha família, um lugar onde posso rir, chorar, dançar, fazer festas e tudo o que mais gosto. Sacrifiquei e trabalhei muito para poder ter o que tenho, mas valeu a pena lutar todos os dias com a cabeça erguida”.


Local: Embu das Artes – Viela das Lavadeiras


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