Na mídia um toque de glamour na realidade um banho de água fria
- marcelatrabalhosfm
- 24 de nov. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 26 de nov. de 2023
Apesar das aparições nos meios de comunicação, representatividade negra ainda tem um caminho longo para ser evidenciada
Por Marcela Virgulino

Não é de hoje que a comunidade negra ou até mesmo a militância vem recorrendo a compreender ao papel dos negros na sociedade, é sim uma luta diária que precisamos travar todo santo dia, lutar por um espaço que já é nosso desde nascença. Mas não, – “vamos complicar e continuar usando, abusando e nós beneficiando disso tudo”, é o que o patriarcado diz.
Não podemos negar que a diversidade está cada vez mais presente nas telas dos smartphones, cinemas, TVs e qualquer outro meio de comunicação, mas a realidade não é tão glamorosa assim, eu mesmo sei bem o gosto de olhares repulsivos que julgam só pelo tom da minha pele negra. Não estou exagerando, e sim, é o que acontece fora do mundo das lindas histórias que são oferecidas nas plataformas de streaming.
Se tem uma coisa que me deixa indignada, é o fato de ainda existirem programas de realiteshows que usam o racismo como pretexto para alavancarem suas audiências, não importa o contexto, hora ou a quem vai ofender, o importante mesmo é dindim no bolso. Olhem bem as entrelinhas e lá vocês irão ver um prato com o maior requinte de preconceitos contra a cultura afro-brasileira.
Vocês até podem achar surto da minha psique, um vislumbre mal interpretado, delírios após longas horas de leituras, mas repito, não é loucura e sim uma verdade que precisa ser lembrada quando me deparo com a baixaria que é vendida para o mercado, e ainda tem gente que adora consumir conteúdos que desmoralizam pessoas negras, principalmente as mulheres, que são “as últimas a serem lembradas”.
Segundo a análise “Diversidade de Gênero e Raça nos Lançamentos Brasileiros de 2016”, realizada pela ANCINE (Agência Nacional do Cinema) a representatividade de pessoas negras e os cargos que ocupam na mídia é muito inferir as pessoas brancas. Na pesquisa foram verificadas as seguintes funções: Direção, Direção de Produção, Direção de Arte, Elenco, Produção Executiva e Roteiro, com 1.326 indivíduos integradas no cinema.
Em se tratando de filmes dirigidos, na grande maioria os homens brancos ficaram com 97,2%, mulheres brancas dispunham-se de 19,7%, os homens negros comandaram apenas 2,1% das exibições, já as mulheres negras não dirigiram ou estavam presentes na produção de roteiros. Na análise de elenco temos novamente a mulher negra com uma baixa participação de 5%, ou seja, ela não é evidenciada como deveria ser.
Se quisermos mais representatividade e transparência comecemos pelo jeito certo, e qual é? Incentivar histórias que contem nossa realidade, parar de nos contentarmos com papéis da empregada ou do motorista, compreender que a história do povo negro está ligado as religiões e muitos dos costumes vem dela, entender que unidos somos mais fortes e podemos derrubar muros gigantescos que se formaram sobre nós.
O que disse acima vem em conjunto com a frase, na teoria parece lindo, mas na prática não é assim, é um balde água fria quando ouço isso. Se hoje temos a oportunidade de expressar nossos sentimentos, emoções, contar sobre nossas dores, é porque chegamos até aqui através de esforços, batalhas e perdas incontestáveis, não venha me dizer isso, não agora que neste período da humanidade temos recursos para fazer difere.

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