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Atualizado: 25 de nov. de 2023

Professora incentiva mulheres a se expressarem através de música árabe para melhorar o autoconhecimento do corpo com projeto na cidade de Camaçari (BA)


Por Marcela Virgulino


Foto: Reprodução @angelacheirosa

Moradora de Camaçari, no estado da Bahia, Angela Cheirosa, de 49 anos, é uma professora, coreógrafa e bailarina de dança do ventre que ocupa boa parte de seu tempo ensinando mulheres a se expressarem através de coreografias e muita música árabe. Com mais de 15 anos de experiência na área, ela está a frente de um projeto social chamado Flor de Lótus, que proporciona às pessoas em situação vulnerabilidade uma oportunidade através da dança.


Em um momento difícil da vida, nos auge dos 30 anos e com tantas cicatrizes, ela encontrou dentro de uma sala de yoga algo que futuramente beneficiaria muitas mulheres. “No ano de 2008 e tinha ficado recém-viúva, engordado de 50 a 100 kg e estava procurando atividades que pudessem me ajudar a emagrecer, e também a voltar ter sanidade mental, já que eu estava tendo crises de pânico e depressão, foi então que nesse dia tive uma aula experimental de dança do ventre e não parei mais”, explica.


Sorte ou destino nada disso importava, e sim, uma dança que trazia alegria e, sobretudo o autoconhecimento para Angela, em meio a tantas coisas como trabalho e a vida pessoal o gosto pelo o mundo das artes árabes era evidente, mesmo com a perda de seu marido essa era uma mudança que precisava ser feita e foi o que ela fez. “Quando eu descobri que a dança do ventre era altamente curativa, no sentido de acalmar o coração e aplacar as dores, e ela te coloca como protagonista da sua própria vida, isso me levou a querer dar aula, ser professora e especializar na área”.


Foto: Reprodução @angelacheirosa

Afeiçoada com o novo universo na época, entre os anos de 2008 e 2011 aperfeiçoar as técnicas a levou Cheirosa a concluir uma nova perspectiva, “a dança do ventre que eu pratico, acredito e coloco como centro da minha profissão e da minha existência enquanto profissional, é que esse tipo de dança apesar de não aparecer, ela é extremamente inclusiva e democrática”. Com alunas em uma faixa etária dos 20 aos 70 anos, essa inclusão traz exatamente o que a professora prega autoestima e um pouco de música faz toda diferença no dia a dia.


Apesar dos grandes feitos na história da evolução humana, existem algumas regras que acabam recaindo quando se trata de beleza, os padrões são variadas formar de normalizar atitudes negativas para conquistar a beleza ideal, na dança do ventre isso também acontece, mas para a professora vai muito, além disso. “O único pré-requisito é ter um corpo, apesar das pessoas passarem todos os dias a mensagem, que dança do ventre é para determinados corpos, cabelos, cores e estética, ela é para todo mundo”.


Para Angela a importância na dança do ventre está na sua gênese e essência, o que a torna acessível para todos, além dos benefícios que melhoram a relação com o corpo, mente e a sensualidade, a diversidade vai de encontro a pessoas que nunca se imaginaram nesse ambiente. Outra questão é a autoestima que potencializa mais segurança sobre corpo e confiança para encarar situações do dia a dia.


“A dança do ventre é uma reconciliação da mulher com o espelho, com o próprio corpo da mulher que hoje em dia está lidando com vários tipos de problemas, já que fomos ensinadas a nos vestirmos e comportarmos de determinadas maneiras. Angela também comenta que essa modalidade precisa ser aceita internamente pelo iniciante. “O primeiro passo é compreender em nossos pensamentos que a dança é para mim e para a minha qualidade de vida e que todo o resto vai fluindo ao longo do que vamos construindo”, conta Angela.


Flor de Lótus


Entre um passo e outro, entre um rodopio e uma coreografia, olhar para o mundo e reconhecer que ele tem possibilidades era o diferencial para conquistar novos objetivos. Ministrada em Camaçari, as aulas de dança do ventre envolvem muito mais do um simples passo e uma jogada de cabelo, o projeto Flor de Lótus viabiliza mulheres que estão em situação de vulnerabilidade social e está presente ao longo de 12 anos transformando vidas.


Mesmo com pouco tempo no mundo da dança do ventre, a professora já visava algo que poderia ajudar outras mulheres. “Desde que comecei a dançar mesmo antes do projeto Flor de Lótus, que mantenho desde 2011, que procura oferecer e ofertar autoestima, empoderamento e novos recomeços através da dança do ventre, desde o começo já tinha nome quando ele nasce. Ele já nasce todo estruturado”.


Com a realidade de uma mulher negra que sabe os obstáculos que a espera, Cheirosa decidiu juntar tudo o que tinha vivido e fazer a diferença na comunidade de Camaçari, pequeno ou grande não importava, o propósito era continuar. “No meu entorno existia na época e ainda existe uma infinidade de mulheres com a alma adoecida e aquilo que eu estava aprendendo, recebendo e vendo com a dança seria de uma utilidade muito grande ser repassada para elas”. Sabendo disto, mãos a obras, nascia o projeto que alcançaria pessoas do outro lado do país, já que a publicação de vídeos em suas redes sociais (@angelacheirosa) permitiu esse acesso.


“O único pré-requisito é ter um corpo”


Às vezes um sonho parece distante, mas com persistência e foco as possibilidades são muitas. “Em 2011 eu consegui fazer uma parceria com a associação de moradores de bairro com grande vulnerabilidade social aqui de Camaçari, e comecei a oferecer gratuitamente aulas de dança do ventre para mulheres em situação de vulnerabilidade como, violência doméstica, familiar, baixa autoestima e fome, comenta.


Hoje temos números positivos e impressionante de mulheres que foram e são beneficiadas com o Flor de Lótus, a atitude nobre e respeitosa de Angela Cheirosa revela o quanto reviravoltas podem mudar a história que escrevemos todos os dias, “atualmente o Flor de Lótus atua em Camaçari com turmas para idosos, regulares, adultos e crianças, sem contar as professoras que dão aula comigo todas são crias desse projeto, todas formadas professoras pelo projeto”.


Para um público


Diante de muitas questões e anos de aprendizados, Angela desenvolveu um livro pra ajudar profissionais e iniciantes no mundo da dança. “O meu livro nasceu de várias inquietações, o livro “Aposta nos Básicos” veio dessa busca que toda bailarina de dança do ventre acaba tendo, que é – “eu não tenho curso acadêmico”, “eu não tenho regras específicas”, “eu não tenho parâmetro”, até os nomes dos movimentos são regionalizados”.


Diferente de outras danças clássicas que consistem em regras e normas, a ventre, por sua vez, está enraizada na cultura árabe desde sempre e necessariamente não precisa de uma formação técnica para que possa ministrar aulas. Segundo um estudo realizado pela Universidade Rio Claro em São Paulo, essa modalidade nasceu a cerca 8 mil anos a.C. como uma dança sagrada. “Mulheres egípcias já nascem com a cultura da dança do ventre e não faria sentido nenhum para elas terem uma escola de dança do ventre”, explica.


A professora acredita que tem muito a ensinar para aqueles que desejam conhecer com profundidade a dança do ventre, e, sobretudo, ter o prazer de fazer parte de seus ensinamentos. “Tem um certo perfil de pessoas que acreditam numa bailarina negra, gorda, nordestina de quase 50 anos, numa arte africana, porém ocidentalizada, embranquecida, que nega acesso a determinados tipos de corpos a essa prática, ou seja, simplificar, organizar, sistematizar e orientar são palavras que norteiam o trabalho do meu livro “Aposta nos Básicos” ”, completou.


  • 24 de nov. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 25 de nov. de 2023

Por Islany Caldeira


São Paulo é reconhecida como um dos maiores polos urbanos e culturais do Brasil, uma diversidade cultural e encantos surpreendentes que se escondem por trás da transformação do cotidiano urbano, pensando nisso, nós da 40MAIS preparamos dois passeios impecáveis para você mergulhar e enriquecer seus conhecimentos, gastando pouco.


1. MUSEU DAS FAVELAS


O Museu das Favelas está situado no Palácio dos Campos Elíseos, uma construção erguida no século 19 que representava o poder e a influência da elite cafeicultora da época. Hoje, esse local se transformou em um patrimônio cultural aberto a artistas independentes das áreas menos privilegiadas da cidade, trazendo uma nova compreensão sobre o papel dos museus na sociedade.


Foto: Islany Caldeira

Originalmente concebido em 1896 como residência de um próspero fazendeiro, o Palácio dos Campos Elíseos foi adquirido pelo governo estadual em 1912, servindo como moradia de governadores e sede do governo.


O Museu das Favelas nasce da necessidade de preservar e compartilhar as histórias da periferia, muitas vezes esquecidas ou mal compreendidas pela sociedade em geral. Este espaço celebra a cultura, a arte e a história, ao mesmo tempo, em que desafia estereótipos negativos. O objetivo local trazer uma conscientização e promover reflexões possíveis para a luta contra a desigualdade social e o racismo. É um símbolo de resistência, potência e empoderamento. Ao visitar o museu, os visitantes têm a oportunidade de mergulhar no universo das favelas brasileiras, contadas pelas próprias pessoas que vivem lá.


Quando? De terça a domingo, das 9h às 17h (com permanência até as 18h).


Onde? PALÁCIO DOS CAMPOS ELÍSEOS

Entrada pela Rua Guaianases, 1024 — São Paulo, SP - CEP 01.204-001 Quanto? Gratuito. Retirar ingressos no site oficial do museu.


A exposição Raízes, concebida por Lidia Lisbôa para marcar a inauguração do Museu das Favelas, foi meticulosamente elaborada em crochê, utilizando retalhos de tecido reutilizados pela própria artista. Esta exposição está instalada no Hall de entrada do Museu.

A criação desta obra coletiva permanecerá em exibição na galeria de provisões temporárias do Palácio.


Essa abordagem de criação coletiva reflete um dos princípios fundamentais do Museu das Favelas, sendo promover e destacar o valor do trabalho colaborativo com indivíduos que vivenciam o dia a dia das comunidades faveladas.



Foto: Islany Caldeira


Sobre a Artista Lidia Lisbôa: Lidia Lisbôa é artista visual e de performance, natural de Guaíra, Paraná. Lidia tem formação em gravura em metal pelo Museu Lasar Segall, escultura contemporânea e cerâmica pelo Museu Brasileiro de Escultura (MuBE) e pelo Liceu de Artes e Ofícios. A artista participou de exposições nas galerias Fibra, Central das Artes, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e no Instituto Goethe São Paulo. Seu trabalho foi contemplado com o Prêmio Maimeri 75 anos (1998) e II Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-brasileiras (2012). Lidia Lisboa vive e trabalha em


2. MUSEU AFRO BRASIL


O Museu Afro Brasil vai além do mero resguardo de arte e artefatos históricos. Ao percorrer seus corredores, os visitantes podem compreender questões sociais e políticas, desde a luta pela igualdade racial até a preservação de tradições.


Foto: Islany Caldeira

Em 2004, o Museu Afro Brasil teve sua inauguração no Pavilhão Manoel da Nóbrega, destinado a abrigar a coleção privada do diretor e curador Emanoel Araújo. Dentro de suas galerias, desde peças do século XVIII até obras contemporâneas, é possível apreciar uma variedade de expressões artísticas, como pinturas, esculturas, fotografias e outros documentos etnológicos que retratam a riqueza da cultura africana e afro-brasileira. A experiência no Museu Afro Brasil é verdadeiramente enriquecedora. Sua exposição permanente oferece uma jornada singular para quem decide explorar suas instalações. Além disso, as exposições temporárias incentivam a reflexão sobre a contínua batalha contra o racismo. O acervo é composto por uma rica variedade de artefatos históricos, desde documentos a trajes tradicionais de cultos afro-religiosos, passando por instrumentos musicais e muitos outros objetos que guardam consigo a história e resistiram ao teste do tempo.


Foto: Islany Caldeira

Quando? Terça a domingo, das 10h às 17h


Onde? Av. Pedro Álvares Cabral | Parque Ibirapuera | Portão 10

Quanto? R$30,00 inteira e R$ 15,00 meia-entrada. Grátis às quartas-feiras para o público.


  • 24 de nov. de 2023
  • 6 min de leitura

Atualizado: 25 de nov. de 2023

Por Islany Caldeira


O empreendedorismo feminino tem ganhado força ao longo dos anos, proporcionando maior independência às mulheres, que agora estão iniciando seus próprios negócios, seja por necessidade ou por escolha pessoal, que contribui para a inclusão no mercado de trabalho de grupos historicamente menos favorecidos, como a população negra.

Para ter sucesso nesse caminho, são necessárias dedicação, comprometimento e disposição para enfrentar uma série de obstáculos. No entanto, o empreendedorismo tem permitido às mulheres negras a conquista da independência financeira e emocional.


De acordo com uma pesquisa do SEBRAE realizada em 2021, 47% das mulheres empreendedoras no Brasil são negras, representando um avanço significativo para esse grupo. No entanto, essas empreendedoras ainda enfrentam desafios significativos, como desigualdades salariais.


Fonte: Reprodução/ Pexels


Quando uma mulher negra decide empreender, ela não apenas busca sua independência financeira e profissional, mas também desafia estereótipos e preconceitos enraizados na sociedade brasileira. Ela demonstra que é possível para mulheres negras serem empresárias de sucesso, ocuparem cargos de liderança em grandes empresas e alcançarem autonomia na gestão de suas vidas, sem depender de terceiros.


Essas empreendedoras atuam como modelos inspiradores para as gerações futuras, oferecendo representatividade e motivando outros jovens a acreditarem que a prosperidade é alcançada, independentemente da cor da pele.


A trajetória da economista Dirlene Silva foi marcada por enfrentamentos contra o racismo e o preconceito ao longo de toda sua vida, movida por sua paixão e compromisso com os estudos, alcançou a titulação de mestre em gestão e negócios e fundou sua empresa DS Estratégias & Inteligência Financeira dedicada a auxiliar outras pessoas no gerenciamento financeiro e foi eleita em 2023 uma das vozes mais influentes na plataforma do LinkedIn, segundo o IBEST.


“Sou uma profissional com mais de 30 anos no universo corporativo das empresas e te confesso que nos últimos 10 anos já tinha surgido uma vontade, de empreender e fiquei com um receio, veio a insegurança de não ter o salário no final do mês. Sou de uma família humilde, que sempre preservou a questão da segurança e estabilidade no emprego, a minha mãe é funcionária pública, minha irmã do meio também, meu pai é falecido, não tive muito contato com ele, mas ele também era funcionário público, então tem uma certa adição de funcionalismo público pela estabilidade, para minha mãe o sonho era que eu fizesse um concurso público para ter estabilidade e estaria com o emprego garantido para o resto da vida, então assim, não existe nenhum exemplo de empreendedorismo na família, não foi fácil.”


Apesar dos avanços, as mulheres empreendedoras negras enfrentam obstáculos significativos em sua jornada para o sucesso, Dirlene relata seu começo para empreender e o foco do seu público.


“Em 2020, pela primeira vez na carreira, acabei sendo demitida durante a pandemia, nunca tinha sido demitida, eu pedia demissão das empresas quando não estava me sentindo bem e durante a pandemia sabemos que foi complicado para todo mundo, a empresa estava em crise e fui demitida, a partir daí veio novamente em mente a questão do empreendedorismo, senti aquele receio, então, fiz algo que sempre indico para todos, que é quando a gente tem alguma coisa em mente, conversar com pessoas que já fizeram.”


“Na época tinha muitas seleções que participava e sou uma pessoa protagonista da minha carreira, comecei a entender que eu não queria mais voltar para empresas, que o meu caminho era o empreendedorismo e dali, visei entender qual era realmente o meu negócio, e quais pessoas eu queria atingir, era muito nítido que o ramo seria economia e finanças’’.

“E entendi que meu público que era principalmente das classes C e D como é o meu caso, que vim de uma origem muito humilde, então esse foi o meu início, confesso que não é que tenha sido fácil, mas se tornou menos doloroso porque, eu tinha uma ótima reserva de emergência, não tive dificuldades para montar o meu negócio inicialmente, tenho uma formação sólida na área, tenho formação em estratégia, e mestrado em gestão de negócios.”


Em setembro de 2020 ela fundou a DS Estratégias e Inteligência Financeira, com o propósito de desmistificar economia e finanças para pessoas e empresas, por meio de consultorias, processos de mentorias, coach, treinamentos e palestras.


“O meu primeiro trabalho enquanto empreendedora foi prestando serviço para uma empresa de tecnologia. Eu era mentora de finanças para novos empreendedores e recebi o convite para escrever uma coluna de finanças no blog Prateleira de Mulher, esses foram meus dois primeiros trabalhos enquanto empreendedora e logo após veio a chamada do LinkedIn Top Voices que realmente me deu muita credibilidade e realmente me trouxe uma grande visibilidade.”


As empreendedoras enfrentam a necessidade de conquistar seu espaço em mercados competitivos e lidar com uma série de incertezas, no entanto, é a paixão, a resiliência e a busca pela inovação que capacitam essas visionárias a superarem essas dificuldades.


“Quanto aos desafios, entendo que são universais para todos os empreendedores, mas também me considero uma pessoa bastante abençoada, de ter realmente um conhecimento grande de negócios, de estratégias, é importante ter um network forte, mas entendo que, como todos os empreendedores, a gente tem uma ansiedade quando a vida continua andando, as contas continuam chegando e daqui a pouco tem aquela instabilidade, a gente não tem aquele salário garantido no final do mês, então até realmente formar uma carteira de clientes, de ter realmente um rendimento garantido todos os meses.”


O mercado digital está em constante expansão, é um grande aliado para quem deseja empreender com um número crescente de indivíduos que utilizam a internet como principal fonte de informações e para realizar compras ou serviços. De acordo com dados de uma pesquisa TIC Domicílios divulgada em 2021, estima-se que 82% dos brasileiros estão conectados, evidenciando o amplo alcance e penetração da internet na sociedade.

Com a presença na internet, é viável alcançar uma audiência ampla, sem se limitar à localização geográfica. Isso implica que os empreendedores digitais têm a chance de influenciar inúmeras pessoas, expandindo as possibilidades de vendas e crescimento do negócio.


“Com certeza, a tecnologia, a presença online me ajudaram total a impulsionar meu negócio. Tanto como eu já tinha um pensamento de empreender há uns10 anos. Sempre que eu considerava empreender, eu imaginava que tinha que alugar uma sala, de montar um escritório, precisava ter uma clientela que seria aqui de Porto Alegre.


“Como fui demitida na pandemia, e antes de ser demitida fiquei trabalhando três meses ainda em home office, foi aí que minha chave virou porque, entendi que se eu já estava trabalhando na empresa, dentro da minha casa, eu poderia muito bem montar o meu negócio dentro da minha casa também. Eu não precisaria alugar uma sala, montar um escritório, enfim, como eu imaginava”.


E realmente comecei assim, comecei a fazer isso. Hoje em dia a minha clientela, a maioria é de fora de Porto Alegre, meus clientes são de São Paulo, tenho clientes em Lisboa, em Madrid, inclusive em Paris. Então, o mundo é o limite, não existe limite diante dessa presença online muito forte.’’


As mulheres negras desempenham um papel fundamental e crescente no mundo do empreendedorismo, contribuindo de maneira significativa para o desenvolvimento econômico e social de suas comunidades e países. Essas empreendedoras enfrentam desafios adicionais, incluindo discriminação racial e de gênero, quando ambas no mundo dos negócios, mas também demonstram resiliência e determinação para superá-los.


Dirlene relata também quais foram suas inspirações durante sua trajetória. “Minha mãe, né? Foi uma mulher muito simples, semianalfabeta, ela deixou um recado para mim e as para minhas irmãs, que foi um legado de felicidade. Uma mulher ousada, guerreira, que teve a ousadia de se divorciar na década de 70 ainda, quando nem existia a lei do divórcio.


“Então, ela nos deixou o seguinte recado quando nós não estamos felizes onde a gente está, a gente tem que romper as amarras e, contra tudo e contra todos, vai ser feliz, vai buscar por isso.”


“A segunda pessoa que tenho como inspiração é a Deise Nunes, ex-miss Brasil. Foi a primeira mulher negra que vi numa capa de revista, eu tinha 12 anos quando vi essa imagem e eu havia crescido numa época em que beleza negra não era reconhecida, a gente não via negros em capa de revistas, menos ainda em novelas, e somente como escravizados, enfim. E cresci, me achando uma criança e depois uma adolescente feia.”


“Então, ver a Deise numa capa de revista significou para eu entender que não era a cor da minha pele que ia me impedir de chegar aonde eu quisesse. E aí depois, que eu já tinha ultrapassado diversas barreiras, tenho muitas inspirações, referências...’’.


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