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O empreendedorismo para mulheres negras

  • marcelatrabalhosfm
  • 24 de nov. de 2023
  • 6 min de leitura

Atualizado: 25 de nov. de 2023

Por Islany Caldeira


O empreendedorismo feminino tem ganhado força ao longo dos anos, proporcionando maior independência às mulheres, que agora estão iniciando seus próprios negócios, seja por necessidade ou por escolha pessoal, que contribui para a inclusão no mercado de trabalho de grupos historicamente menos favorecidos, como a população negra.

Para ter sucesso nesse caminho, são necessárias dedicação, comprometimento e disposição para enfrentar uma série de obstáculos. No entanto, o empreendedorismo tem permitido às mulheres negras a conquista da independência financeira e emocional.


De acordo com uma pesquisa do SEBRAE realizada em 2021, 47% das mulheres empreendedoras no Brasil são negras, representando um avanço significativo para esse grupo. No entanto, essas empreendedoras ainda enfrentam desafios significativos, como desigualdades salariais.


Fonte: Reprodução/ Pexels


Quando uma mulher negra decide empreender, ela não apenas busca sua independência financeira e profissional, mas também desafia estereótipos e preconceitos enraizados na sociedade brasileira. Ela demonstra que é possível para mulheres negras serem empresárias de sucesso, ocuparem cargos de liderança em grandes empresas e alcançarem autonomia na gestão de suas vidas, sem depender de terceiros.


Essas empreendedoras atuam como modelos inspiradores para as gerações futuras, oferecendo representatividade e motivando outros jovens a acreditarem que a prosperidade é alcançada, independentemente da cor da pele.


A trajetória da economista Dirlene Silva foi marcada por enfrentamentos contra o racismo e o preconceito ao longo de toda sua vida, movida por sua paixão e compromisso com os estudos, alcançou a titulação de mestre em gestão e negócios e fundou sua empresa DS Estratégias & Inteligência Financeira dedicada a auxiliar outras pessoas no gerenciamento financeiro e foi eleita em 2023 uma das vozes mais influentes na plataforma do LinkedIn, segundo o IBEST.


“Sou uma profissional com mais de 30 anos no universo corporativo das empresas e te confesso que nos últimos 10 anos já tinha surgido uma vontade, de empreender e fiquei com um receio, veio a insegurança de não ter o salário no final do mês. Sou de uma família humilde, que sempre preservou a questão da segurança e estabilidade no emprego, a minha mãe é funcionária pública, minha irmã do meio também, meu pai é falecido, não tive muito contato com ele, mas ele também era funcionário público, então tem uma certa adição de funcionalismo público pela estabilidade, para minha mãe o sonho era que eu fizesse um concurso público para ter estabilidade e estaria com o emprego garantido para o resto da vida, então assim, não existe nenhum exemplo de empreendedorismo na família, não foi fácil.”


Apesar dos avanços, as mulheres empreendedoras negras enfrentam obstáculos significativos em sua jornada para o sucesso, Dirlene relata seu começo para empreender e o foco do seu público.


“Em 2020, pela primeira vez na carreira, acabei sendo demitida durante a pandemia, nunca tinha sido demitida, eu pedia demissão das empresas quando não estava me sentindo bem e durante a pandemia sabemos que foi complicado para todo mundo, a empresa estava em crise e fui demitida, a partir daí veio novamente em mente a questão do empreendedorismo, senti aquele receio, então, fiz algo que sempre indico para todos, que é quando a gente tem alguma coisa em mente, conversar com pessoas que já fizeram.”


“Na época tinha muitas seleções que participava e sou uma pessoa protagonista da minha carreira, comecei a entender que eu não queria mais voltar para empresas, que o meu caminho era o empreendedorismo e dali, visei entender qual era realmente o meu negócio, e quais pessoas eu queria atingir, era muito nítido que o ramo seria economia e finanças’’.

“E entendi que meu público que era principalmente das classes C e D como é o meu caso, que vim de uma origem muito humilde, então esse foi o meu início, confesso que não é que tenha sido fácil, mas se tornou menos doloroso porque, eu tinha uma ótima reserva de emergência, não tive dificuldades para montar o meu negócio inicialmente, tenho uma formação sólida na área, tenho formação em estratégia, e mestrado em gestão de negócios.”


Em setembro de 2020 ela fundou a DS Estratégias e Inteligência Financeira, com o propósito de desmistificar economia e finanças para pessoas e empresas, por meio de consultorias, processos de mentorias, coach, treinamentos e palestras.


“O meu primeiro trabalho enquanto empreendedora foi prestando serviço para uma empresa de tecnologia. Eu era mentora de finanças para novos empreendedores e recebi o convite para escrever uma coluna de finanças no blog Prateleira de Mulher, esses foram meus dois primeiros trabalhos enquanto empreendedora e logo após veio a chamada do LinkedIn Top Voices que realmente me deu muita credibilidade e realmente me trouxe uma grande visibilidade.”


As empreendedoras enfrentam a necessidade de conquistar seu espaço em mercados competitivos e lidar com uma série de incertezas, no entanto, é a paixão, a resiliência e a busca pela inovação que capacitam essas visionárias a superarem essas dificuldades.


“Quanto aos desafios, entendo que são universais para todos os empreendedores, mas também me considero uma pessoa bastante abençoada, de ter realmente um conhecimento grande de negócios, de estratégias, é importante ter um network forte, mas entendo que, como todos os empreendedores, a gente tem uma ansiedade quando a vida continua andando, as contas continuam chegando e daqui a pouco tem aquela instabilidade, a gente não tem aquele salário garantido no final do mês, então até realmente formar uma carteira de clientes, de ter realmente um rendimento garantido todos os meses.”


O mercado digital está em constante expansão, é um grande aliado para quem deseja empreender com um número crescente de indivíduos que utilizam a internet como principal fonte de informações e para realizar compras ou serviços. De acordo com dados de uma pesquisa TIC Domicílios divulgada em 2021, estima-se que 82% dos brasileiros estão conectados, evidenciando o amplo alcance e penetração da internet na sociedade.

Com a presença na internet, é viável alcançar uma audiência ampla, sem se limitar à localização geográfica. Isso implica que os empreendedores digitais têm a chance de influenciar inúmeras pessoas, expandindo as possibilidades de vendas e crescimento do negócio.


“Com certeza, a tecnologia, a presença online me ajudaram total a impulsionar meu negócio. Tanto como eu já tinha um pensamento de empreender há uns10 anos. Sempre que eu considerava empreender, eu imaginava que tinha que alugar uma sala, de montar um escritório, precisava ter uma clientela que seria aqui de Porto Alegre.


“Como fui demitida na pandemia, e antes de ser demitida fiquei trabalhando três meses ainda em home office, foi aí que minha chave virou porque, entendi que se eu já estava trabalhando na empresa, dentro da minha casa, eu poderia muito bem montar o meu negócio dentro da minha casa também. Eu não precisaria alugar uma sala, montar um escritório, enfim, como eu imaginava”.


E realmente comecei assim, comecei a fazer isso. Hoje em dia a minha clientela, a maioria é de fora de Porto Alegre, meus clientes são de São Paulo, tenho clientes em Lisboa, em Madrid, inclusive em Paris. Então, o mundo é o limite, não existe limite diante dessa presença online muito forte.’’


As mulheres negras desempenham um papel fundamental e crescente no mundo do empreendedorismo, contribuindo de maneira significativa para o desenvolvimento econômico e social de suas comunidades e países. Essas empreendedoras enfrentam desafios adicionais, incluindo discriminação racial e de gênero, quando ambas no mundo dos negócios, mas também demonstram resiliência e determinação para superá-los.


Dirlene relata também quais foram suas inspirações durante sua trajetória. “Minha mãe, né? Foi uma mulher muito simples, semianalfabeta, ela deixou um recado para mim e as para minhas irmãs, que foi um legado de felicidade. Uma mulher ousada, guerreira, que teve a ousadia de se divorciar na década de 70 ainda, quando nem existia a lei do divórcio.


“Então, ela nos deixou o seguinte recado quando nós não estamos felizes onde a gente está, a gente tem que romper as amarras e, contra tudo e contra todos, vai ser feliz, vai buscar por isso.”


“A segunda pessoa que tenho como inspiração é a Deise Nunes, ex-miss Brasil. Foi a primeira mulher negra que vi numa capa de revista, eu tinha 12 anos quando vi essa imagem e eu havia crescido numa época em que beleza negra não era reconhecida, a gente não via negros em capa de revistas, menos ainda em novelas, e somente como escravizados, enfim. E cresci, me achando uma criança e depois uma adolescente feia.”


“Então, ver a Deise numa capa de revista significou para eu entender que não era a cor da minha pele que ia me impedir de chegar aonde eu quisesse. E aí depois, que eu já tinha ultrapassado diversas barreiras, tenho muitas inspirações, referências...’’.


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