Liderança feminina: A importância de representatividade em cargos de lideranças
- marcelatrabalhosfm
- 23 de nov. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 25 de nov. de 2023
Por Islany Caldeira
No cenário do mercado de trabalho formal, as mulheres negras ainda registram a menor presença em cargas de liderança e gerenciamento, levantamento feito Gestão Kairós com 900 líderes entrevistados (nível de gerência para cima, em 2022), 25% são mulheres — e, entre elas, apenas 3% são negras. Entre mais de 23 mil profissionais que não ocupam cargos de liderança, 32% são mulheres, e o número de mulheres negras é de 9%, que continuam a enfrentar restrições de acesso às melhores oportunidades de estudo, trabalho e remuneração.

Foto: Reprodução/ Pexels
Conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pessoas negras atingem 56,1% da população brasileira. Isso evidencia que, embora sejam socialmente minorizados em termos de representatividade, numericamente não se configuram como minoria dentro dos dados populacionais.
A ausência de representação em cargos de liderança reforça estereótipos sociais que relegam as mulheres negras a cargos de subordinação, excluindo-as de pertencimento. Isso as retrata como mulheres resilientes, porém não como líderes, contribuindo assim para a manutenção do racismo estrutural enraizado na sociedade, em entrevista concedida para a 40MAIS, Raquel Belém, Jornalista, Gestora de Comunicação e Marketing, Professora, Palestrante, e atualmente atuando como Executiva Sênior de Inovação Digital em uma multinacional de tecnologia relatou sobre sua carreira no mercado de trabalho, e a dificuldade de reconhecimento, e afirmou ter sofrido preconceito racial em praticamente todos os empregos que já teve.
“Fiquei por 10 anos ocupando cargos de analista, mesmo já estando preparada para cargos de liderança. No meu último ano antes de efetivamente assumir um cargo de liderança (com reconhecimento de cargo e salário) eu atuava como analista pleno, mas era a responsável pelo marketing da empresa, organizava eventos internacionais, assinava documentos e supervisionava outros profissionais. Ou seja, na prática, eu já era líder, mas sem o cargo e salário.”
A liderança de mulheres negras, ainda é algo novo, a caminhada é solitária, e precisam provar seu valor inúmeras vezes.
“Ao contrário das mulheres brancas, que rapidamente são reconhecidas por seu trabalho, as mulheres pretas, independente de sua formação, são sempre vistas como profissionais da área operacional. Costumam ser confundidas com estagiárias, secretárias ou algum outro cargo onde elas estejam sob a supervisão de outra pessoa. A luta das mulheres para alcançar posições de liderança é de extrema importância, porém, são lutas diferentes. Enquanto a mulher branca precisa apenas de uma promoção, a mulher preta ainda precisa trabalhar e entregar três vezes mais para ocupar um cargo sênior ou de especialista.”

Para superar as barreiras relacionadas ao preconceito de gênero e raça em sua carreira, ela se juntou a uma rede de apoio formada por mulheres negras, além das terapias e a priorização da saúde mental acima de qualquer empresa.
Referente a diversidade e inclusão no ambiente de trabalho, Raquel conta que através do respeito acaba abrindo portas “Sendo uma excelente profissional e atingindo meus resultados, eu conquisto o respeito das pessoas. Com o respeito delas, posso dialogar e explicar as diferentes caminhadas trilhadas por profissionais pretos em comparação aos brancos. Assim, vou formando aliados e abrindo portas”.

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