Mulheres no mercado de trabalho: o que mudou?
- marcelatrabalhosfm
- 23 de nov. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 25 de nov. de 2023
Nos últimos anos, ocorreram mudanças significativas no papel das mulheres no mercado de trabalho, refletindo uma evolução contínua em direção à igualdade de gênero
Por Islany Caldeira
Atualmente a participação das mulheres no mercado de trabalho, ainda é um processo que, apesar dos desafios persistentes, possui avanços significativos, o cenário de desigualdade de gênero já foi mais escasso, porém ainda é um desafio.
Recentemente foi aprovado a Lei 14.611 sobre igualdade salarial, que entrou em vigor para estabelecer normas relativas à paridade salarial e aos critérios de remunerações entre indivíduos de diferentes gêneros. A igualdade de negociação entre homens e mulheres já era garantida tanto pela Constituição Federal quanto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No entanto, a realidade no mercado de trabalho e os dados estatísticos provenientes de diversas fontes, como a do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que ainda existe uma disparidade significativa nos rendimentos entre homens e mulheres.

Foto: Reprodução/Pexels
A história das mulheres no mercado de trabalho é uma narrativa de superação ao longo dos séculos, as mulheres enfrentaram discriminação e dificuldades significativas para acessar empregos remunerados. Sua inserção no mercado de trabalho ganhou impulso em meados da década de 1930, impulsionada pelos efeitos da revolução industrial.
Com o avanço tecnológico e a automação, surgiu a necessidade de mais mão de obra, incluindo mulheres. No entanto, mesmo quando desempenham as mesmas funções que os homens, as mulheres enfrentavam salários mais baixos e jornadas de trabalho exaustivas.
As mulheres negras e indígenas enfrentavam situações ainda mais precárias, sofrendo com o preconceito e tendo menos oportunidades de emprego. Naquela época, era comum a segregação nos ambientes de trabalho, com divisões claras entre mulheres brancas e negras. Por exemplo, na década de 1940, as mulheres recebiam salários que eram apenas 70% do que os homens recebiam, mesmo exercendo as mesmas funções.
Atualmente as mulheres negras ainda enfrentam diversos obstáculos que afetam sua entrada, permanência, progresso e oportunidades de carreira. Nos primeiros três meses deste ano, por exemplo, apenas um pouco mais da metade das quase 49 milhões de mulheres negras em idade de trabalho tiveram sucesso, passando a integrar o mercado de trabalho formal (51,2%) na entrevista concedida para essa matéria a Priscilla Couto, que é uma especialista em gestão de recursos humanos, estratégica de pessoas e coaching de carreira nos relata as dificuldades que as mulheres negras enfrentam.
“Nós mulheres negras, enfrentamos desafios desde a falta de confiança de quem somos, desde nossas competências para assumir um cargo, sobre nossa estrutura de corpo, forma de cabelo, jeito de ser vestir e até mesmo como nós expomos nossas relações. E olhando para a mulher no mercado de trabalho como um todo, a gente tem uma visão muito machista, 48% das mulheres que voltam de licença à maternidade, elas são desligadas. É um absurdo, mas é uma realidade. Elas deixam de ser promovidas, elas deixam de assumir cargos de liderança.”
Conforme informações divulgadas pelo IBGE em 2021, a renda mensal média de uma mulher negra é de R$ 1.471, representando um valor 42% menor do que o salário médio das mulheres brancas.
“Estamos falando de carreira, mas toda essa questão é da educação cultural, apesar de eu ser uma mulher negra, de ser gorda, de ter o cabelo cacheado, eu tenho inúmeras habilidades, conhecimento e capacitação, para trazer resultados para às empresas. Estamos cada vez mais se questionando sobre nossos movimentos, sobre está certo ou não. E cada vez mais ficando escondidas nos lugares quando não temos que estar mudando quem somos na realidade, correndo até da nossa ancestralidade, nos tornando pessoas que não somos para a gente poder ser aceita pelo mercado e enquadrada.”
“O fato de ser mulher gera impacto, e ser negra mais ainda. Nós mulheres negras precisamos provar três, quatro vezes"

"E sem falar que a gente já passa por uma vida, por uma educação e por uma jornada de desenvolvimento de carreira muito diferente. Muitas vezes entramos no mercado mais tarde, não tem tempo de se desenvolver porque precisa trabalhar cedo, as próprias famílias não incentivam em alguns momentos. É difícil você falar para uma mulher que mora na periferia, que tem filhos para criar, que se ela quiser ela consegue, porque ela está fazendo o seu máximo e nem assim as coisas estão acontecendo.”

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