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Por Renata Rodrigues


Foto: Renata Rodrigues e Marcela Virgulino

Melanito Biyouha, natural da cidade de Yaoundê, Camarões, chegou ao Brasil em 2003, encontrando abrigo na casa de sua tia em Brasília, no Distrito Federal. Durante quatro anos, ela se destacou como cabeleireira, conquistando uma clientela fiel tanto em salões de beleza como no atendimento a domicílio.


Após esse sucesso em Brasília, Melanito decidiu dar uma pausa no dia a dia e viajou para São Paulo para adquirir novas experiências. Fascinada pela diversidade cultural da quarta maior cidade do mundo, decidiu criar raízes na metrópole. Quando Melanito percebeu que o centro de São Paulo não era apenas um local de residência e trabalho para muitos africanos, mas também um ambiente para migrantes, ela viu uma oportunidade de unir forças e promover encontros interculturais. Ela acredita que a comida é uma verdadeira expressão da identidade nacional e está confiante no seu conhecimento das técnicas, ingredientes e diversidade da cozinha típica dos Camarões para criar o seu mais recente empreendimento, Cozinha Tradicional dos Camarões.


Em fevereiro de 2008, Melanito viajou para o centro de São Paulo em busca do local ideal para seu restaurante. Por fim, encontrou um ponto comercial na Alameda Barran de Limeira, no bairro de Santa Cecília, e iniciou sua missão de levar a diversidade da culinária camaronesa para São Paulo. Seu restaurante leva o nome de sua família "BIYUO`Z". O Restaurante Biyou`z era originalmente frequentado pela comunidade africana, mas poucos meses depois expandiu o seu menu para servir países como Senegal, Congo, Angola, Nigéria, Tanzânia, Moçambique, Marrocos, Costa do Marfim, Benim e Gana pratos. Em 2019, foi instalada uma nova unidade da Biyou'Z no bairro Consolação. Biyou'Z oferece serviços completos de buffet para tornar sua celebração ou evento particular e empresarial uma experiência inesquecível. Agora você pode trazer todo o sabor e autenticidade do seu cardápio para o seu evento.


O restaurante acolherá também o ‘Our Food History Workshop’, uma oportunidade única para mergulhar na riqueza da cozinha africana. Seus talentosos chefs preparam e servem pratos, doces e petiscos tradicionais africanos. Eles transmitem informações sobre sua origem, história, preparo e receitas. Uma experiência gastronômica que vai além do sabor e se liga às raízes da cozinha africana. Para tornar a sua noite ainda mais africana, oferecemos “Cocktails Africanos” nos eventos. Oferecem petiscos típicos, saladas, doces e bebidas africanas autênticas, criando um ambiente festivo para que todos os participantes se sintam como se estivessem num país africano. Biyou'Z oferece cozinha africana que encanta todos os sentidos, do paladar à cultura.


Hoje, Melanito Biyouja é uma renomada chef que enriquece São Paulo com os sabores e costumes do continente africano. O Restaurante Biyuo`z é conhecido não só pela sua cozinha excepcional, mas também pelo excelente serviço e simpatia da Chef Melanito. É considerado ponto de encontro dos amantes da boa comida e é amplamente recomendado pelos principais sites e blogs de culinária brasileira.



Foto: Renata Rodrigues e Marcela Virgulino

Sabor e Cultura Africana: Uma Experiência Única!

Por Renata Rodrigues e Marcela Virgulino


Renata

Foto: Renata Rodrigues e Marcela Virgulino

Minha experiência ao visitar este restaurante foi verdadeiramente impressionante. Desde o momento em que entrei, fui cativada pela bela e cuidadosa decoração, que apresenta um toque especial da África. A atmosfera do lugar é acolhedora e autêntica, o que imediatamente me deixou ansiosa para descobrir mais sobre o que estava por vir.

Os pratos servidos neste restaurante são tão bonitos quanto saborosos. E generosamente servidos, deixando com água na boca só de olhar. Além disso, os garçons são incrivelmente simpáticos e acolhedores, o que proporcionou um ambiente caloroso e acolhedor durante toda a refeição.


Optei por experimentar o prato Samaki, composto por uma combinação de espinafre, peixe frito, arroz com açafrão e curry. Para acompanhar, escolhi uma bebida de Amarula com café, que adicionou um toque agradavelmente amargo à refeição. A mistura de sabores exóticos e o cuidado na apresentação do prato realmente me conquistaram. A experiência culinária foi uma verdadeira viagem para os sentidos, e eu definitivamente adoraria voltar para saborear mais dessas iguarias.


Algo notável sobre o restaurante foi a presença de muitos funcionários nativos de vários países africanos. Isso acrescentou um valor representativo à minha experiência, pois me permitiu aprender mais sobre as culturas e tradições do continente africano enquanto desfrutava da deliciosa comida. Foi um toque especial que tornou a visita ainda mais memorável.


Marcela

Foto: Renata Rodrigues e Marcela Virgulino

Gostei bastante do ambiente acolhedor, não só pela decoração e ornamentos africanos, mas pelo tom de amarelo pintado nas paredes que me fez perceber o quão isso deixou o dia mais divertido, já que estava nublado. Teorias das cores? Não sei, mas foi o que senti. Outro detalhe que reparei foram os quadros com matérias jornalísticas sobre a Chef da casa, que revelava o desempenho e dedicação a gastronomia.


Com grande experiência por frequentar restaurantes da cidade de Embu das Artes, escolhi um prato que fosse o mais próximo do paladar brasileiro, não poderia escolher uma comida mais típica e depois sair julgando, o intuito era conhecer a ancestralidade e poder tirar o melhor aproveito daquilo que estava consumindo.


Depois de olhar o cardápio e contemplá-lo, o escolhido foi o Larouge, que chamou atenção, pois lembra o nome do filme Moulin Rouge do diretor Baz Luhrmann. Arroz, molho de tomate, bolinho de carne ou carne refogada eram o que formavam o prato. Pode até parecer simples, mas o tempero africano estava na medida ideal, o que fato me deixou surpreendida e contribuiu para voltar.


De acompanhamento, os garçons serviram dois “molinhos” um de pimenta-malagueta e outro de carne, o primeiro, como já era de se esperar, era saboroso e ardido, enquanto o segundo era adocicada e lembrava visualmente a carne moída. Com sempre pedi um suco de limão que é o meu favorito, mas por sinal a bebida estava um pouco amarga, pois tinha sido preparada com a casca e isso não me incomodou, ao contrário, deixou um gostinho de quero mais.


Não esquecendo, o cardápio possui seis tipos de entradas, Renata e eu escolhemos o Ndumbe de Carne, uma espécie de bolinho, mas no dia estava indisponível, então ficamos com o Ndumbe de peixe. E sinceramente nunca comemos um bolinho tão sequinho, livre de gordura, fora que a adoramos peixe, então não do que reclamar, apenas voltar e comer mais.


"Nossa visita a este restaurante com toque africano foi uma visita notável. Desde a decoração até a comida, tudo foi excepcional e cativante. Se você estiver em busca de uma experiência gastronômica autêntica e acolhedora, este é o lugar para visitar. Mal podemos esperar para retornar e explorar mais do incrível cardápio que este a casa tem a oferecer".


  • 24 de nov. de 2023
  • 5 min de leitura

Atualizado: 25 de nov. de 2023


Sexóloga fala sobre as principais dúvidas do autoconhecimento e dos benefícios de uma vida sexual ativa


Por Marcela Virgulino


Foto: Marcela Virgulino

Mulheres mais velhas transam? E a resposta é sim e não há nada de anormal nisso!

A verdade é que elas estão bem vivas e não pretendem passar o resto de suas vidas cuidando dos filhos, netos ou apenas sendo mais uma presença ambulante na casa de alguém.


Assim como na juventude o desejo e o sentimentos estão à flor da pele, na velhice não é diferente, o toque, o cheiro, a pele e algumas palavras provocantes são essenciais com nossos parceiros independente da idade.

Nesta edição apresentamos algumas respostas que podem ajudar a entender o que se passa quando os corpos são marcados pelo tempo.


Dra. Lorrane Peixoto, fisioterapeuta pélvica e sexóloga, especialista em fisioterapia obstétrica, disfunções miccionais, coloproctológicas e sexuais com atendimento residencial, responde à revista 40MAIS as principais dúvidas quando se trata de mulheres maduras com uma vida sexual ativa.



1. Qual a importância do sexo para mulheres mais velhas?

Com o envelhecimento, a mulher passa por transformações que alteram principalmente os aspectos físicos. Uma das responsáveis por essas mudanças é a menopausa, a qual é um processo que provoca diversas alterações no corpo, que impactam diretamente na sexualidade desta mulher, como é o caso da queda hormonal. A diminuição das taxas hormonais, principalmente do estrogênio, pode gerar questões não benéficas para a região íntima da mulher, como é o caso da atrofia vaginal. Devido a estas e outras questões, a mulher acaba prejudicando a sua vida sexual. Porém, a sexualidade é vista como parte da nossa saúde e precisa ser cuidada, assim como qualquer outro aspecto da nossa vida, pois ter uma vida sexual ativa e de boa qualidade, traz diversos benefícios para a saúde, como a melhora da qualidade de vida, do humor, a qualidade do sono, reduz o estresse, previne problemas cardíacos e entre outros.


2. Por que o prazer feminino só é evidenciado/ abordado na juventude?

Infelizmente, a nossa sociedade nos induz pensar que o idoso não tem uma vida sexual ativa. Devido a esse pensamento, a sexualidade passa a ser um assunto da juventude e deixa de ser abordado na terceira idade, principalmente para as mulheres, visto que na visão ainda atual da sociedade, a partir do momento em que a mulher entra na menopausa, ela não é mais vista como uma mulher que pode procriar e ser fértil e assim, perdendo o seu direito de ter uma vida sexual ativa, já que o sexo ainda é muito visto como algo feito para reprodução e não para o prazer. Isso faz com que até o presente momento haja uma visão equivocada em relação ao sexo e o prazer na terceira idade.


3. Qual a importância de falar sobre o sexo para mulheres mais velhas?

A primeira coisa é deixar o preconceito de lado e entender que mulheres mais velhas também tem uma vida sexual ativa. A partir daí, precisamos pensar em medidas de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST’s) para essas mulheres, que, de certo modo, se encontram vulneráveis em relação às informações sobre saúde sexual, uma vez que são vistas como sexualmente inativas. Além disso, precisamos abordar outros temas, como anatomia da região íntima, saúde sexual, prazer feminino e outros assuntos que surgem em relação a este tema, para que haja uma saúde sexual com qualidade e sem riscos.


4. Por que tem mulheres que desistem do sexo? É a falta de um parceiro funcional?

Mais uma vez a nossa sociedade atua em relação a essa atitude tomada por algumas mulheres. No decorrer dos anos, a mulher sempre foi vista como um objeto para reprodução. Isso fez com que o prazer feminino fosse velado e abafado pela sociedade, fazendo com que se tornasse algo proibido para mulher e visto como um erro. Logo, todo esse pensamento, passado de geração em geração, foi ganhando força e se fazendo presente até os dias de hoje, inclusive entre as mulheres. Além disso, as alterações provocadas pela menopausa e até mesmo questões socioculturais e psicológicas, por exemplo, podem tornar essa mulher menos ativa sexualmente, já que muitas vezes o sexo passa a ser menos prazeroso, ou até mesmo a diminuição da libido faz com que ela evite o sexo. Em relação à existência ou não de uma parceria, também acaba impactando a vida sexual desta mulher, já que o prazer ainda é muito visto como algo a ser vivenciado a dois, tornando essa mulher dependente de uma parceria para alcançar o prazer, o que também pode fazer com que ela desista do sexo.


5. Falando sobre saúde feminina, quais os cuidados devem ser tomados a partir da idade madura?

Considerando que a expectativa de vida brasileira vem aumentando no decorrer dos anos, precisamos cada vez mais elaborar cuidados para essa população, principalmente porque com o avançar da idade, muitos fatores de risco passam a ser mais frequentes, tornando o cuidado cada vez mais necessário. Dessa forma, no caso da população feminina, deve-se orientar em relação às consultas médicas regulares, alimentação, atividade física, vacinação e uma atenção maior aos sinais e sintomas que o corpo dá.


6. A menopausa ajuda ou atrapalha a vida sexual depois dos 40?

Depende de cada mulher, porque as manifestações da menopausa não serão iguais para todas elas e mesmo para aquela mulher que apresenta mudanças significativas, ela pode lidar bem com essas alterações e passar por essa fase sem qualquer problema. Porém, devemos lembrar que independe dos sintomas que essa mulher apresentar, o envelhecimento estará presente e com isso, certos cuidados devem ser redobrados.


7. Quais os benefícios da vida sexual ativa? A masturbação ainda é uma opção para essas mulheres?

São muitos benefícios, mas entre os mais atrativos temos a melhora na qualidade de vida, redução do estresse e da ansiedade, prevenção de problemas cardiovasculares, melhora da qualidade do sono, melhora a vida sexual como um todo, alivia as dores e ainda pode melhorar as queixas presentes em mulheres que tem a manifestação de sintomas provocados pela menopausa.

E sim, a masturbação, apesar de geralmente não ter uma troca com o outro, irá trazer benefícios semelhantes ao de uma vida sexual ativa, principalmente em relação à região íntima.


8. Quais dicas são fundamentais para as mulheres maduras terem mais prazer?

A primeira dica é se conhecer. Não existe ter prazer sem saber se dar prazer. Até porque, o outro não tem uma bola de cristal para saber suas preferências. Então, o primeiro passo é se conhecer, para que sozinha ou acompanhada, essa mulher consiga ter prazer e claro, ter orgasmos. Além disso, manter uma vida sexual ativa, inovar na vida sexual, fazer uso de recursos que possam auxiliar no aumento de prazer, como sex toys e até mesmo, pensar em sexo e fantasiar, fazem parte deste processo.






Atualizado: 26 de nov. de 2023

Apesar das aparições nos meios de comunicação, representatividade negra ainda tem um caminho longo para ser evidenciada


Por Marcela Virgulino


Imagem: Freepik

Não é de hoje que a comunidade negra ou até mesmo a militância vem recorrendo a compreender ao papel dos negros na sociedade, é sim uma luta diária que precisamos travar todo santo dia, lutar por um espaço que já é nosso desde nascença. Mas não, – “vamos complicar e continuar usando, abusando e nós beneficiando disso tudo”, é o que o patriarcado diz.


Não podemos negar que a diversidade está cada vez mais presente nas telas dos smartphones, cinemas, TVs e qualquer outro meio de comunicação, mas a realidade não é tão glamorosa assim, eu mesmo sei bem o gosto de olhares repulsivos que julgam só pelo tom da minha pele negra. Não estou exagerando, e sim, é o que acontece fora do mundo das lindas histórias que são oferecidas nas plataformas de streaming.


Se tem uma coisa que me deixa indignada, é o fato de ainda existirem programas de realiteshows que usam o racismo como pretexto para alavancarem suas audiências, não importa o contexto, hora ou a quem vai ofender, o importante mesmo é dindim no bolso. Olhem bem as entrelinhas e lá vocês irão ver um prato com o maior requinte de preconceitos contra a cultura afro-brasileira.


Vocês até podem achar surto da minha psique, um vislumbre mal interpretado, delírios após longas horas de leituras, mas repito, não é loucura e sim uma verdade que precisa ser lembrada quando me deparo com a baixaria que é vendida para o mercado, e ainda tem gente que adora consumir conteúdos que desmoralizam pessoas negras, principalmente as mulheres, que são “as últimas a serem lembradas”.


Segundo a análise “Diversidade de Gênero e Raça nos Lançamentos Brasileiros de 2016”, realizada pela ANCINE (Agência Nacional do Cinema) a representatividade de pessoas negras e os cargos que ocupam na mídia é muito inferir as pessoas brancas. Na pesquisa foram verificadas as seguintes funções: Direção, Direção de Produção, Direção de Arte, Elenco, Produção Executiva e Roteiro, com 1.326 indivíduos integradas no cinema.


Em se tratando de filmes dirigidos, na grande maioria os homens brancos ficaram com 97,2%, mulheres brancas dispunham-se de 19,7%, os homens negros comandaram apenas 2,1% das exibições, já as mulheres negras não dirigiram ou estavam presentes na produção de roteiros. Na análise de elenco temos novamente a mulher negra com uma baixa participação de 5%, ou seja, ela não é evidenciada como deveria ser.


Se quisermos mais representatividade e transparência comecemos pelo jeito certo, e qual é? Incentivar histórias que contem nossa realidade, parar de nos contentarmos com papéis da empregada ou do motorista, compreender que a história do povo negro está ligado as religiões e muitos dos costumes vem dela, entender que unidos somos mais fortes e podemos derrubar muros gigantescos que se formaram sobre nós.


O que disse acima vem em conjunto com a frase, na teoria parece lindo, mas na prática não é assim, é um balde água fria quando ouço isso. Se hoje temos a oportunidade de expressar nossos sentimentos, emoções, contar sobre nossas dores, é porque chegamos até aqui através de esforços, batalhas e perdas incontestáveis, não venha me dizer isso, não agora que neste período da humanidade temos recursos para fazer difere.


©2023 

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